Pesquisar este blog

sábado, 30 de março de 2013

Crônica 59 - Katia Cilene, isto sim é que cantora! - S.Squirra




Como todo rapaz do interior, sempre experimentei maravilhada emoção pelo mar. As imagens da amplidão das praias, da frescura das areias, do quente dourar do sol,  do carinho do vento, da dança dos coqueiros, do crepitar das ondas me levavam à sedução total, pois projetavam algo de dimensão indescritível  naquele corpo caipira, estrutura criada na aridez e na ausência de infinito do sertão. Se tal imaginação incluísse uma caipirinha (a bebida, neste caso) e um peixinho frito como tira-gosto, a imagem oferecia o máximo prazer que um ser poderia imaginar nesta vida. É lógico que a projeção levaria ao êxtase se completada com a inserção de belas morenas em instigantes biquines e simpáticos convites nos lábios. Ai, ai, ai! Em uma vida bem vivida, tudo isto foi se materializando e os prazeres saboreados confirmaram as imaginações. Em alguns momentos, aquelas superaram estas. Que bom, quanta aventura, quanto vento bom, quantas viagens, quantos mergulhos inesquecíveis!

Anos mais tarde, já  satisfeito e familiarizado com as incontáveis delícias das praias e de suas ondas morenas, na bela praia de Toque-Toque, pertinho de São Sebastião, litoral norte paulista, tomei conhecimento que teríamos música da boa na festa de Santana, que os nativos ali comemoram há vários anos. Afirmavam que era das melhores, pois tinha boi no rolete, leitoa, bebida farta, barraquinhas com jogos, paquera, muita alegria etc. E naquele ano, também muita música. Para esta haviam armado um palco feito em madeira com toldo bem mais alto que o solo, para que todos pudessem ver a banda e a artista popular convidada. Sem querer, passei perto de uma velha Kombi estacionada nos fundos do palco e constatei alguém se arrumando e se maquiando freneticamente em seu interior. Como deu para ver pouca coisa, não sabia que era a artista daquela noite: a Kátia Cilene, promissora artista da região. A festa transcorria divertida e as pessoas se serviam da carne de boi e de um porco doados por um amigo do vilarejo e que eram churrasqueados na brasa num buraco no chão. A cerveja e os refrigerantes animavam todos que se acomodavam no espaço em frente à igrejinha à espera da música que já anunciava seus acordes.

Mais cerveja, conversas, cumprimentos e comidas e finalmente chegou a hora de apreciar o show musical, pois os colegas da banda já brigavam com os instrumentos e  agrediam os ouvidos no “um, dois, um, dois”... ao microfone. Não mais que de repente, explode do fundo uma figura com roupas parecidas às de rancheiro de filme norte-americano de segunda categoria, com dois revólveres na cintura, chapéu de peão de boiadeiro com laço no pescoço e bota de cano e salto altos, com minissaia bem armada, revelando a sedutora meia arrastão, com insistentes buracos aqui e ali. De quebra, a maquiagem carregada em todos os cantos daquele rosto que já gritava alto a música indefinível, com voz indescritível que oferecia à todos sons incompreensíveis naquelas caixas mais próprias para anúncios que cantorias. O primeiro ato da artista foi vir correndo na direção do público e terminar o movimento escorregando ajoelhada e, com gestos de tigresa, com um revólver numa das mãos, conclamava os presentes a seguir os refrões daquela inacreditável apresentação. Atônitos, todos olhavam e não conseguiam acreditar no que viam. Não satisfeita, passou a, no meio da gritaria, dar tiros e assoprar a fumaça do cano do revólver, insinuando sensualidade condizente com o que a banda bombardeava. Esforçada, fez inúmeros malabarismos e se dedicou ao máximo para agradar a todos. De repente, parou de maltratar os ouvidos dos presentes e ofereceu um cartaz a quem aceitasse ser seu fã. Como estávamos imóveis, intimou-nos dizendo: "pega ai, ajuda eu"!. Um de nós aceitou. Delírio total! A experiência durou quase uma hora, tempo de delicia kitsch das mais louváveis. Inesquecível aquela Katia Cilene!

segunda-feira, 25 de março de 2013

Crônica 58 - Bobagens ampliadas - S.Squirra



Um dia, a sociabilidade se resumia ao contato pessoal na praça central, aos relacionamentos com os vizinhos ou nos encontros nos clubes. Os feriados nacionais e os acontecimentos coletivos, como jogos, festas folclóricas (Folia de Reis!), o 7 de setembro etc. emocionavam a todos, pois eram momentos agradáveis de conversas, intercâmbios, descobertas, paqueras e muita felicidade. Os tempos mudaram e as hoje denominadas “redes sociais” explodem as bordas das relações e ampliam os horizontes em dimensão ainda não experimentada pelo ser humano. Frias e inodoras, neste isolado e asséptico ambiente pode-se observar de tudo, inclusive muita impropriedade.Tenho constatado coisas interessantes, mas me deparo com muita imbecilidade e coisas que me intrigam e mesmo me irritam. Desacostumados com os púlpitos políticos e desatentos aos mecanismos da vida em coletividade, muitos parecem entender que seja saudável apontar e indicar solução pessoal para as incontáveis sujeiras, inumeráveis más formações, férteis idiossincrasias e múltiplas injustiças sociais do mundo, só por que agora se é mais estudado, experiente, titulado ou consciente.. e se está munido de uma máquina digital. Mas não é sinal de sanidade imaginar que um ser isoladamente detenha a "verdade" e, por isso, poderia vestir a camisa dos justiceiros e limpar a sociedade, dos anjos purificadores e corrigir as podridões políticas, de salvador da "pátria" e remover as putarias da espécie... Estes deixam entender que UMA pessoa (elas mesmas!) poderia salvar o planeta, nosso país, ou a espécie humana das suas gosmentas mazelas. No meio de tantos “diários”, muito devaneio e incomensuráveis bobagens....
Aos incautos, inflados e apressados lembro que é bom acalmar-se e procurar entender a dimensão e as limitações humanas individuais (muito mais leitura, minha gente!). Aliás, isto é sinal de inteligência, de consciência espiritual e política, mas sobretudo de sanidade a mais elementar. Ficar gritando contra os desvios aqui e ali (e quem não os vê?) não vai resolver nada, pois o máximo que fazem é isto mesmo e retornam ao sofá, esquecendo que é necessário agir no real, investir para mudar consciências, buscar participação social e votos conscientes, vestir e desgastar a sola dos sapatos, beber e esgotar salivas, agir para mobilizar segmentos humanos, energizar-se e investir tempo para obter consensos... Afinal, somos seres sociais, certo? Como conforto inicial, acalmo consciências dizendo que o fato de não integrar forma alguma de confraria emporcalhada e/ou obscurantista já é uma boa contribuição de cada um. Aninhar-se entre os que professam -coletivamente- formas de mudanças sensíveis e humanistas vem na sequência e se configura como politicamente construtivo. Mas, o mais importante é recusar qualquer insidiosa forma de extremismo corretivo autoritário individual (pois esta é baseada no olhar dirigido pelo centralismo idolatrador do ego próprio), o que sinalizará alforria dos sistemas desequilibrados e indicará maturidade, princípios que rompem com a ingenuidade da infância e sublimação das ações feitas pelo protetor desabafo através de máquinas, pois aqueles convencimentos uníssonos surgem de pensamentos maniqueístas que propõem assepsia e anestesia sociais à força, a partir do discurso digital. E isto é bobagem pura...
Definitivamente, esta não é tarefa para UM ser isolado, mesmo que este se anestesie com a sensação virtual das redes digitais do momento, sendo justo que quem assim pense pare de se achar o centro do mundo e olhe racionalmente seu entorno. Caso contrário poderá interpretar papel de justiceiro matraqueador psicótico que, de fato, só está chorando para chamar a atenção da mãezinha que o abandonou há um bom tempo.... À razão, portanto!

sábado, 2 de março de 2013

Crônica 57 - Reflexões digitais numa noite perdida - S.Squirra



Reflexões digitais numa noite perdida...

As mídias digitais compõem - e mesmo definem - todos os cenários da sociedade moderna, perpassando a experiência humana na maior parte das suas dimensões. Em graduações e domínio variáveis, são absolutamente presentes em todos os espaços, envolvendo amplos segmentos sociais em processos comunicativos perenes, férteis e intensos. A ubiquidade das tecnologias nelas incorporadas sinaliza que se introduz uma cultura digital adensada, que foge da pura retórica decorativa, adentrando o campo das práticas evolutivas consistentes tanto no acesso e troca de significados quanto na inclusão para a absorção de bens sociais tangíveis. Dessa forma, por perenes, dinâmicas e robustas, expandem as ações humanas no sentido do incentivo à cultura, ao entretenimento, ao intercâmbio, ao consumo, na integração, nos diálogos etc. enfim, no processo do pertencimento social nas múltiplas formas amigáveis das interações dos homem mediadas pelas máquinas.

Os sentidos se amplificam e os universos mentais se multiplicam, pois as fragmentações comunicativas das multitelas da modernidade, materializadas nos infindáveis displays audiovisuais do presente ampliam e explodem os acanhados cenários uni imagéticos do tempo anterior (o analógico). Na fertilidade comunicativa, a interconectividade é plena e ininterrupta, fazendo com que a experiência humana seja extrapolada ao infinito. Todos falam com todos, o tempo todo. Todos se expõem para todos, em todos os cenários. Todos conhecem todos, ou chegam bem perto disto. Isto atinge fortemente todos os meandros da cultura em que se vive, exigindo novos olhares, novas angulações nas avaliações, novos processos de compreensão do que vem acontecendo com a tecnologização do cotidiano.

Neste admirável novo mundo, o homem, objeto central dos processos sociais, não é mais o mesmo, pois sua mente amalgama simbiose que cria no hipotálamo social próteses corpóreo-McLuhanianas, uma vez que este está tendo que assimilar e compreender, em novas formas imersivas, os conteúdos e as narrativas que se materializam e que até então eram desconhecidos e inacessíveis, agora em processos cognitivos que são amplamente facilitados e reconfigurados à exaustão. Tudo é novo, se acopla, se reformata, se combina, se resignifica. As bordas se expandem em modelos inesperados, desconhecidos, mas amigáveis, condutores. Os novos tempos requerem novas habilidades e muito mais flexibilidade mental e sensitiva.

Colaborativamente (outra característica do novo mundo digital) elas se propõem facilitar a vida dos seres intrigados com as mudanças, sem acimentar contornos, pois conscientes da mobilidade territorial e abordagens analíticas. Tudo está “em construção”, onde a realidade aumentada traz inéditos significados complementares e interativos, instigando a ir mais à frente, em ceder aos convites, em mergulhar ainda mais profundamente, deleitando-se com as “viagens” expostas nos infindáveis displays dos aparelhos que compõem o dia-a-dia e estão inseridos nas casas, nas vestimentas, nos carros, no próprio corpo humano. Reflexões que adentrem tais universos são necessárias, desvendando os processos íntimos da construção de emoções, permitindo que comunicadores entendam e dominem os processos que afetam a todos. É o que se entende necessário daqui pra frente, pois as questões são infinitas e desafiantes. Por isso, impossível de ser circundadas numa laçada conceitual. Mãos à obra....

A sedução da “Era das máquinas espirituais” (livro de Ray Kurzweil) está vindo na sua direção, parceiro ciborgue... É pegar, ou .... pegar! Simples, assim.....


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Crônica 56 - Japão (II) - S.Squirra



Crônica 56. Japão (II) – S.Squirra 

No meio daqueles volumosos aglomerados (no melhor estilo “saída do Maracanã em dia de Fla-Flu”), atravessar as ruas parecia coisa de alpinista (como no Brasil, aliás). Mas, em qualquer cruzamento em Tókio (ou Kyoto) não percebi ultrapassagens ou “fura filas” e vi que, calmamente, todos esperam o momento de mudar de calçada. Ali impera um respeito tranquilo, sem agressões, sem nervosismos, sem “espertinhos”.  E ao abrir o sinal para os pedestres, adentrava uma delicada surpresa, já que um barulho simpaticíssimo despontava: pássaros piam  em caixas sonoras invisíveis, enquanto os contingentes ordeiramente se deslocam. É um agradável sinal para os cegos e um som gostoso para os ouvidos. Para quem está acostumado com São Paulo, parece sonho! Que civilidade, que calmante!

Os estudantes das fases iniciais usam roupas ocidentais (de influência inglesa) e se destacam quando andam em blocos pela cidade, em grupo de 8, onde um deles recebe a incumbência de liderar e se responsabilizar pelos demais. São alegres, respeitosos e (e pasmem!) também organizados e ordeiros! Brincalhões, se deslocam descontraidamente em filas de dois nos mercados e áreas coletivas, sem exageros, sem gritarias, sem empurrões (ai está o modelo comportamental que vi nos adultos!).  Aquela juventude feliz e sadia me fez constatar a quase inexistência de pessoas obesas (de fato, não vi gordo algum) ou mal vestidas, denotando uma classe média robusta e consciente. Que evolução, que estímulo!

No Shinkanzen (trem bala, em japonês) outra vivência inesquecível, apesar de já ter passado por experiência semelhante entre Paris e Londres, anos atrás. A pontualidade é milimétrica (poucos segundos) e o asseio, silêncio e ordem são magistralmente penetrantes. Os vagões são limpíssimos e funcionais (fiquei tão apaixonado que comprei uma revista só sobre os trens japoneses). No Shinkanzen resgatei uma visão de infância: os vendedores de balas, bolos e refrigerantes que deslocam carrinhos durante os percursos. Uma moça jovem e extremamente bem vestida e maquiada, portadora de uma educação e formalidade destacadas chamou-me a atenção, pois era o funcionário que oferecia aquelas delícias a todos. E ela expressou um sinal de absoluto respeito pelos usuários: ao entrar no vagão, ela fez reverência e falou algo que imaginei como “Bom dia senhoras e senhores. Peço sua licença para entrar neste vagão e oferecer-lhes meus produtos”. E andava calma e cuidadosamente, anunciando em voz suave e delicada os docinhos, líquidos (cappuccino e chá verde gelados!). Bom, para comemorar aquilo tudo, eu fui atrás de uma loira gelada nas máquinas automáticas que também existem no trem. No final do vagão, ela se voltou para todos e, novamente com reverência, despediu-se dos usuários. O mesmo fez o controlador de bilhetes. Que delicadeza de profissionalismo! 

Extasiado, vi que o Shinkanzen se deslocava sem solavancos e em absoluto silêncio (nada de trac-trac, trac-trac..) a incríveis 310 kms por hora. E mais estonteante: em determinado momento constatei quatro composições viajando ao mesmo tempo! Como têm escalas alternadas pelos horários, enquanto uma estava em determinada estação, outra composição passou sem parar, enquanto na direção oposta, uma estava parada e tinha outra linha para aquelas que ali não estacionariam. No percurso, outra constatação: nada de cercas, muito menos outdoors com anúncios e sim muitas plantações de hortaliças. E um detalhe importante: a via é totalmente elevada, evitando cruzamentos e os consequentes acidentes. Como o terreno é bem acidentado, muitos túneis no trajeto, onde os rios estão canalizados, evitando erosões. Tudo perfeito! Que organização e exemplo de planejamento!

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Crônica 55 - Japão (1) - S.Squirra



Crônica 55. Japão (I) – S.Squirra  

Nunca imaginei que um dia visitaria o Japão. Mas, isto aconteceu em 2012, por força das pesquisas nas áreas das mídias e da TV Digital que desenvolvo na academia. Imagino que a ideia sempre ronde os planos de muitos, mas como é uma empreitada robusta em terra longínqua, isto acaba reservado para uma ocasião “mais propícia”. Depois de dois anos de planejamento, consegui as condições pessoais e disposição para enfrentar as 21 horas de avião, mais os desconfortos do fuso horário. Após as 13 primeiras horas e escala de mais 4 no emocionante aeroporto de Dubai (Emirados Árabes Unidos) e mais 8 horas chegamos (eu e Fernando Moreira, um doutorando) a Tókio. Era um sábado á tardinha e os traslados de ônibus e táxi tomaram mais 2 horas, o que foi aliviado ao chegar ao Hotel, pois lá estava o amigo de USP, o prof. José Luis Proença, que ministra curso em universidade nipônica. Saímos para comemorar e, de imediato, a primeira surpresa: que simpatia de pessoas no barzinho ali no bairro de Kanda e que cerveja maravilhosa, que vem em caneco congelado, o que mantinha o prazer em alta performance. Saúde!

O dia seguinte era de visita à famosa Akihabara, o bairro eletrônico mais famoso da cidade. Talvez do mundo. O trajeto foi feito à pé, e nova sensação agradável: apesar de falar inglês muito limitado, quando perguntadas, todas as pessoas se esforçavam para, com gestos, indicar o caminho correto. E mais: sempre começam o diálogo com um sorridente “Hai” e uma leve curvatura do corpo para frente. Em qualquer lugar! Naquela área extremamente movimentada de uma das maiores cidades do mundo, despontavam coisas inacreditáveis: nenhuma sujeira no chão, nenhuma buzina tocava, nenhuma sirene dilacerava o ambiente, todos andavam calmos mas objetivos e concentrados nos seus trajetos. Sem pedintes, sem agressões visuais, sem gritaria, sem poluição, tudo limpo e organizado, sem vendedores agressivos... tudo em onírico equilíbrio. Que alívio!

Nas colheitas do olhar atento, outras coisas despontavam: a evidência de que tudo era bem construído (piso, calçadas, sinalização, metrô etc.), justamente para ser feito uma só vez; de todos os lugares emanava ordem, paz interna; sorrisos constantes; respeito explícito; uniformes impecáveis; uma formalidade “simples”, não autoritária ou impositiva; o falar baixo e tranquilo, cuidadoso; informações em tom baixo nos espaços públicos (nas estações, nos elevadores...). Mesmo com a pouca fluência com o inglês (apesar de terem este idioma na escola), demonstravam explícito interesse em ajudar os estrangeiros, sem aflição, descaso ou pressa (até na estação central do Metrô de Tókio!). E uma habilidade se sobressaia: a capacidade de deslocamento daqueles contingentes enormes de pessoas que não se encontram, que não se esbarram, que respeitam o espaço do outro. Em todos os lugares, não se percebem pessoas aflitas ou angustiadas (mesmo sabendo da enorme população e solidão daquela metrópole), muito menos nervosas, irritadas, agressivas, onde sempre avolumava relação de convívio social com leveza estonteante. Que suavidade!

Os muitos anos de sua história dão as bases culturais e espirituais para que os japoneses espelhem certa imagem de que estão “prá dentro”, em paz consigo próprios, cumprindo seu ritmo de vida sem angústias, serenos... Parecem que estão meditando, mesmo quando se deslocam para o trabalho, por isso, não se alteram com a proximidade do outro, nem com os estrangeiros, elementos que poderiam produzir interferências desnecessárias para a tranquilidade íntima. É possível dizer que impera inacreditável silêncio, mesmo em locais com muita gente, onde não se presenciam algazarras, crianças chorando, gritos etc. De todas as direções exala uma ordem implícita naquela sociedade, que remete à rígida tradição dos samurais, dispensando os alardes agressivos do patriotismo presenciável em outras nações. Aliás, não vi uma única bandeira estirada (dizem que a nacionalidade está “dentro” deles no respeito e adoração ao Imperador). Que serenidade social!